Muitos caminhos, novos aprendizados: conheça a nova versão da nossa cartilha de práticas pedagógicas

Nova versão da cartilha do Instituto Corrida Amiga reúne práticas pedagógicas que conectam mobilidade ativa e segura, acessibilidade, participação e direito à cidade.

A cidade também ensina. Nos caminhos até a escola, nas travessias, praças e encontros cotidianos, surgem oportunidades para observar, fazer perguntas e imaginar formas de tornar os deslocamentos mais seguros e os espaços públicos mais acolhedores.

É dessa relação entre pessoas, movimento e território que nasce a nova versão da cartilha Práticas Pedagógicas do Instituto Corrida Amiga. O material reúne experiências e aprendizados compartilhados ao longo dos anos por educadoras e educadores, estudantes, pessoas voluntárias, equipe de gestão e instituições parceiras.

Cada turma, caminhada e oficina trouxe percepções que ajudaram a aprimorar as propostas, ampliar as formas de participação e fortalecer nosso trabalho com mobilidade ativa, segurança viária, acessibilidade e cidadania.

Aprender com os caminhos cotidianos

O trajeto até a escola pode revelar muito sobre uma cidade. Há espaço adequado para caminhar? As travessias oferecem tempo e condições de segurança? As pessoas conseguem acessar os espaços com autonomia? Quem encontra mais dificuldades pelo caminho?

Essas perguntas nutrem as práticas da cartilha. Por meio de jogos, experiências corporais e observação do território, crianças e adolescentes são convidadas a reconhecer situações de risco, identificar barreiras e discutir o que favorece uma mobilidade mais segura, acessível e inclusiva.

O cuidado nos deslocamentos envolve atitudes de respeito e convivência, mas também depende das condições oferecidas pela cidade. Calçadas, travessias, sinalização, velocidades dos veículos motorizados e organização dos espaços influenciam diretamente a segurança de quem caminha, pedala ou utiliza o transporte coletivo. As atividades ajudam a relacionar essas condições às necessidades de diferentes pessoas e à responsabilidade coletiva de proteger e priorizar a vida.

Um ciclo de práticas, muitos caminhos

O acúmulo dessas experiências nos levou à organização de um ciclo de práticas pedagógicas em quatro estações:

  • Aproximação com o tema — jogos lúdicos: brincadeiras e movimento introduzem conversas sobre deslocamentos cotidianos, segurança viária e convivência.
  • Sensibilização e vivência mediada: experiências como o Circuito do Pedestre ajudam a reconhecer situações de circulação, barreiras de acessibilidade e condições para deslocamentos seguros.
  • Experiência no território: o Bonde a Pé convida a observar, escutar e registrar aspectos como calçadas, travessias, tempos semafóricos, arborização e espaços de permanência.
  • Mobilização, cocriação e incidência: oficinas, documentos e intervenções transformam descobertas em propostas para melhorar os caminhos e os espaços compartilhados.

As estações se conectam, mas não exigem um único caminho. É possível combinar atividades, retomar uma pergunta, aprofundar uma descoberta ou adaptar o percurso ao contexto de cada grupo. A cartilha traz ainda uma “mochila de acessórios”: jogos e recursos que apoiam essas escolhas e ajudam a lidar com mudanças de planos, preservando os objetivos de aprendizagem, participação e cuidado.

Conhecer a cidade e participar de sua transformação

Essa construção também dialoga com referenciais de inovação social e ciência cidadã que temos explorado em nossas pesquisas e reflexões acadêmicas, sobretudo com a EACH-USP, em parceria com a profa Sonia Paulino.

Quando estudantes, escola e comunidade se reúnem para compreender um problema, criar alternativas e experimentar respostas, encontramos um diálogo com a inovação social, ao construir soluções e novas formas de colaboração a partir das necessidades do território.

Já a aproximação com a ciência cidadã aparece no convite para que as pessoas participem da investigação dos lugares onde vivem: formulem perguntas, observem, produzam registros, discutam os achados e ajudem a construir conhecimento sobre a cidade. A experiência cotidiana encontra a investigação e o conhecimento produzido pode apoiar a participação nas decisões.

A prática provoca perguntas para a pesquisa e a pesquisa ajuda a repensar a prática. Esse diálogo segue em construção, assim como a própria cartilha.

Tecnologia como apoio à imaginação e à reflexão

A nova versão também aborda o uso responsável da inteligência artificial como recurso de apoio às práticas pedagógicas. Com mediação, ela pode ajudar a visualizar propostas, organizar ideias e discutir possibilidades de transformação de ruas, calçadas e praças.

A observação e a experiência no território continuam sendo o ponto de partida. As imagens produzidas com IA são simulações que precisam ser analisadas e revistas pelo grupo: a proposta melhora as condições de caminhada? Considera a acessibilidade? Favorece travessias seguras? Contempla diferentes pessoas?

Uma cartilha feita por muitas mãos — e pés

Este material carrega contribuições de quem planeja, realiza, participa, observa e ajuda a repensar cada experiência.

Nosso desejo é que a cartilha circule entre escolas, organizações, coletivos e pessoas interessadas em conectar educação, mobilidade ativa e segura e participação cidadã. Que inspire encontros, fortaleça o cuidado com a vida e seja adaptada a diferentes territórios, incorporando novos saberes pelo caminho.

Conheça a nova versão da cartilha Práticas Pedagógicas do Instituto Corrida Amiga e compartilhe com sua rede.

Se colocar alguma proposta em prática, conte para a gente. Sua experiência também pode inspirar os próximos caminhos.

Um agradecimento especial às crianças e aos adolescentes que protagonizam essas experiências e que, com seus olhares, perguntas, descobertas e propostas, ajudam a orientar e aprimorar nossas práticas.

Agradecemos também ao CAU/SP, pelo fomento, à USP e à Universidade São Judas Tadeu, pelas parcerias de extensão universitária, às pessoas estudantes dessas universidades que participam das atividades e à EMEF Professora Rosângela Rodrigues Vieira, pela parceria educativa, com sua gestão e equipe escolar.

A cartilha leva um pouco de cada uma dessas contribuições. Obrigada por caminharem com a gente!

camiga