Devemos falar “Acidente” ou “Sinistro”?

As palavras que a gente escolhe usar não são apenas detalhes: elas revelam (e moldam) a forma como enxergamos o mundo.

Sempre que lemos ou ouvimos a palavra “acidente”, o nosso cérebro é imediatamente condicionado a pensar em algo inevitável, obra do acaso ou destino, quase como um raio que cai do céu.

Mas a verdade é que a mobilidade urbana não é um fenômeno natural. Ela é planejada, construída e operada por mãos humanas.

Quando trocamos “acidente” por “sinistro” (ou colisão/atropelamento), a nossa chave mental muda completamente. Assumimos que existe uma responsabilidade por trás daquilo: seja uma falha de engenharia, uma velocidade incompatível ou a falta de infraestrutura segura. E a conclusão mais importante é: se foi causado por escolhas humanas, poderia ter sido evitado.

O que é obra do “acaso”, a gente aceita com resignação. Mas o que é fruto de falhas estruturais, a gente exige que o poder público corrija!

Se quiser conhecer mais palavras e conceitos para incorporar à sua linguagem, baixe o nosso glossário colaborativo neste link ou clicando na imagem abaixo.

camiga