Como seria este lugar se fosse pensado para quem caminha?”
Essa foi a pergunta que guiou uma atividade diferente realizada pelo Instituto Corrida Amiga com estudantes da EMEF Prof. Rosângela Rodrigues Vieira, no âmbito do projeto Escola Ativa.

A experiência começou com o tradicional Bonde a Pé — uma caminhada investigativa pelo entorno da escola — e terminou em uma oficina de inteligência artificial, em que os próprios estudantes transformaram fotografias do bairro em imagens da cidade que gostariam de viver.
Mais do que aprender sobre tecnologia, a proposta mostrou que a IA pode ser utilizada como ferramenta para fortalecer a cidadania, estimular o pensamento crítico e apoiar processos participativos de planejamento urbano.
Primeiro, observar a cidade
Divididos em cinco grupos temáticos, os estudantes percorreram as ruas do entorno da escola observando diferentes aspectos da qualidade do espaço público. Cada equipe recebeu uma missão específica:
Segurança pública
O grupo analisou elementos que influenciam a sensação de segurança, como iluminação, extensão de muros, vitalidade das ruas e uso dos espaços públicos em diferentes horários.
Segurança viária
A equipe observou travessias, calçadas, rampas, semáforos para pedestres, obstáculos, velocidade dos veículos e condições para quem utiliza bicicleta.
Acesso à cidade
Esse grupo refletiu sobre como diferentes pessoas conseguem — ou não — acessar os espaços públicos do bairro. Entre os aspectos observados estavam resíduos nas vias, mobiliário urbano danificado, condições das calçadas e qualidade das áreas de lazer.
Atratividade e ambiente
Os estudantes analisaram fatores que tornam os espaços públicos mais agradáveis para permanecer e conviver, como arborização, limpeza, iluminação, mobiliário urbano e manutenção das praças. A Praça Deputado José Bustamante apareceu diversas vezes como um local com grande potencial, mas que necessita de melhorias.
Calçada e mobilidade
O último grupo avaliou a qualidade das calçadas, largura da faixa livre, acessibilidade, piso tátil, rampas e infraestrutura para bicicletas.
Depois, imaginar possibilidades
Durante a caminhada, cada grupo registrou fotografias dos locais que mais chamaram sua atenção. Na etapa seguinte, realizada no laboratório de informática, essas imagens passaram a ser utilizadas em uma oficina sobre inteligência artificial.
Antes de gerar qualquer imagem, os estudantes participaram de uma conversa sobre o funcionamento da IA, seus potenciais e limitações, incluindo um quiz sobre o tema. Em seguida, aprenderam a construir prompts capazes de orientar a ferramenta de forma crítica e objetiva. A metodologia foi desenvolvida justamente para que a tecnologia não substituísse a observação realizada em campo, mas ajudasse a comunicar as propostas construídas coletivamente.

Cada grupo descreveu:
- o que deveria ser mantido na paisagem;
- o que precisava ser transformado;
- quais melhorias urbanas gostariam de ver implementadas;
- sempre priorizando crianças, pessoas idosas, pessoas com deficiência e quem caminha.
O desafio era produzir imagens realistas, mantendo o local reconhecível e propondo intervenções possíveis no contexto brasileiro.
IA como ferramenta de participação
Ao transformar fotografias reais em representações da “cidade ideal”, os estudantes perceberam que pequenas intervenções podem gerar grandes impactos na qualidade dos deslocamentos cotidianos.

Entre as propostas surgiram:
- novas travessias para pedestres;
- calçadas acessíveis com piso tátil;
- mobiliário urbano;
- iluminação pública;
- arborização;
- bancos e abrigos;
- revitalização de praças;
- espaços para bicicletas;
- melhorias na drenagem e na infraestrutura urbana.
A oficina também abriu espaço para discutir um aspecto fundamental do uso responsável da inteligência artificial: nem toda resposta produzida pela ferramenta está correta. Algumas “alucinações” apareceram durante a atividade e serviram como oportunidade para reforçar que toda produção da IA precisa ser analisada criticamente pelas pessoas.
Da sala de aula para a gestão pública
A atividade não termina com as imagens prontas.
As fotografias produzidas durante o Bonde a Pé e as propostas elaboradas com apoio da inteligência artificial irão subsidiar um ofício que será encaminhado ao poder público, reunindo as principais demandas identificadas pelos estudantes. A metodologia também reforçou que eles próprios podem exercer seu papel como cidadãos, utilizando canais oficiais, como o Portal 156, para registrar solicitações relacionadas ao território.

