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A importância do trabalho social vinculado à sala de aula universitária

No campo universitário há diversas especialidades de estudos para quem ingressa o ensino superior, mas durante sua formação há uma defasagem das possibilidades de atuação dentro do currículo acadêmico, visto que as profissões estão em constante transformação com as dinâmicas das cidades e do mercado, mas não necessariamente são atualizadas dentro da grade pedagógica para instruí-los. Com isso, se vê a importância da missão de uma organização social, que fala sobre pessoas e cidades, entrar no campo acadêmico. Assim é possível colaborar na troca profissional, atualização de temas importantes tratados fora da sala de aula e discutir um conhecimento que pode interferir na atuação dos futuros profissionais.

Contudo, trabalhar específicos temas com universitários vai além da inserção e atualização das especialidades dentro da universidade, no caso dos estudos vinculados à mobilidade a pé e atividades do Instituto Corrida Amiga, é possível  mostrar como integrar disciplinas dentro de um tema, sejam elas Educação Física, Fisioterapia, Gestão Ambiental, Gerontologia, Psicologia, Engenharia Ambiental, Arquitetura e Urbanismo, Sociologia, Lazer e Turismo, e tantas outras, isto permite que diferentes pessoas sejam sensibilizadas também.

Ao considerar que andar a pé vai além de uma caminhada, é possível destrinchar o tema dentro dos campos de estudo, além de ser o meio mais sustentável e saudável de se locomover, segundo pesquisa da ANTP (2018) 41% das pessoas se locomovem a pé no Brasil, porém o contexto urbano destinado aos pedestres não é o mais seguro e acessível para todas as pessoas, o que colabora para desestimular a prática.

Ao falar de desenho urbano, vê-se a importância em discutir a pauta da mobilidade a pé dentro do curso de Arquitetura e Urbanismo, como foi trabalhado na semana da arquitetura da IFSP em 2017, e replicado em 2018 na Semana da Arquitetura da Universidade São Judas Tadeu.

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A oficina iniciou com uma parte teórica introdutória à rede da mobilidade a pé, políticas públicas e ações da ONG. O objetivo era ilustrar como as atuações de um urbanista vai além do desenho direto das cidades, é necessário um conhecimento de quem usa o espaço público: as pessoas. Por conta disso, a segunda etapa da atividade foram levados aos arredores da universidade para conferirem na escala 1:1 a acessibilidade local, com o auxílio do Diário do Bonde a Pé que extrai informações de dimensões e acessibilidade das calçadas, desenho da paisagem, volume do som, cheiros e elementos encontrados no percurso.

O uso da metodologia em atividades como essa, permite que se identifiquem como protagonistas do local, considerando ainda, que quem caminha tem mais atenção e sensibilidade com os elementos urbanos do que outros modos de transporte ativos ou motorizados, visto que um pedestre anda, em média,  em uma velocidade variada de 0,7m/s a 1,2 m/s (considerando nesse intervalo pessoa adulta, idosa, criança, pessoa com mobilidade reduzida, etc).

Foram apresentados os mesmos conceitos e práticas com a mobilidade a pé no Senac Tatuapé na semana “Cidade para Pessoas do Senac”, para aproximadamente 40 jovens que se formam no ensino médio ou que iniciam os estudos superiores. Ao lado da Cidade Ativa, Yellow e Aromeiazero, foi destacado os diferentes modos da mobilidade ativa, a importância dela no planejamento urbano e os impactos que ela causa na sociedade. Dentro das ações da Corrida Amiga, destacamos, por exemplo, a importância de trabalhar com crianças, idosos e pessoas com deficiência física e intelectual na cidade, trabalhar este público vai além de inspirá-los a mudar seus estilos de vida, há um impacto nas pessoas próximas a elas, e o destaque das minorias presentes no meio urbano. As crianças, por exemplo, ressaltamos a importância de trabalhar a pauta dentro do território educativo e de que levá-la para rua, credibiliza sua presença dentro da comunidade que a escola está inserida além de estimular seu aprendizado fora da sala de aula.

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Evento cidade para pessoas do Senac tatuapé

Do mesmo modo foi trabalhado na Virada da Mobilidade no Mackenzie com os alunos de Arquitetura e Urbanismo, ao lado da Iniciativa Bloomberg para a Segurança Global no Trânsito e Meli Malatesta do Pé de Igualdade, foi mostrado a importância das Políticas Públicas para a Mobilidade Ativa e em como cada organização colabora com o tema nas frentes de trabalho.

Dentro dessa demanda de legislações mais eficazes, destrincha o tema da mobilidade a pé para outras deficiências que ela se insere, como aconteceu no cine debate do filme: Chega de Fiu-Fiu na ESPM, que foi possível despertar o questionamento de como os desenhos das nossas cidades e a falta de estímulos públicos para a mobilidade a pé, influenciam em como as pessoas se comportam, colaboram para que espaços públicos se tornarem seguros ou inseguros para mulher e mal vistos pela sociedade, mas principalmente, como uma cidade mais humana é mais inclusiva para todos.

Cine debate Chega de fiu-fiu
Cine debate Chega de Fiu-Fiu

Por fim, trabalhar a mobilidade a pé vai além das ações diretas da Corrida Amiga, a Silvia coordenadora da ONG, faz pós-doutorado no programa de Sustentabilidade na EACH-USP e trabalha o tema nas pesquisas e disciplinas que participa.   

 

camiga

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