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Kelviane Gomes, bolsista da Corrida Amiga,
Educadora
Profissional de Educação Física
Fortaleza-CE
25.04.2017

Nossa cidade é uma grande academia urbana!

Corrida Amiga beneficia  a educadora Kelviane, de Fortaleza/CE, para participar do curso “Desenvolvimento Esportivo ao Longo da Vida” promovido pelo PRODHE/ USP. Confira o relato inspirador com as reflexões suscitadas pelo curso“

Vivemos em cidades que nos convidam a caminhar, a praticar esportes, a trocar o carro pela bicicleta, o elevador pela escada ou a sermos mais sedentários? As cidades são sofás ou academias? Por que as pessoas desejam ser mais saudáveis, mas o ser saudável não está dentro da rotina das pessoas? A criança e os adolescentes possuem mais oportunidade de inserção à prática esportiva, mas e com o avançar da idade?

Essas reflexões ou até mesmo provocações surgiram a partir da experiência no curso “Desenvolvimento Esportivo ao Longo da Vida” promovido pelo PRODHE/ USP e com o incentivo da ONG Corrida Amiga a qual fui beneficiada com uma bolsa.

Compreender que o esporte possui um sentido social mais amplo que varia do social ao físico nos trouxe ao atual contexto que vivemos, numa época de ampliação da vivência corporal e da cultura esportiva. Ou seja, das pessoas serem estimuladas a se movimentarem independe de qual seja sua prática esportiva ou física. No entanto quando ficam adultas o prazer e a motivação para tal cai e aqueles poucos que permanecem são regidos pelas recomendações de profissionais da saúde. E o prazer acaba sendo substituído pela obrigação. Os motivos para a diminuição de praticantes de esportes na fase adulto são muitos, que vão desde financeiro à falta de tempo. E a pergunta é: como faço pra continuar a usufruir desse patrimônio e direito social independente do que aconteça e das limitações físicas? A resposta para essa pergunta poderiam nos levar à diferentes pontos de vista e aspectos, como familiar, sociocultural, mídia, desenho físico das cidades, financeiro, acessibilidade… Mas iremos nos deter à participação social através de políticas públicas que favoreçam um meio-ambiente urbano mais saudável, seguro e inclusivo através da nossa ocupação e valorização dos espaços públicos.

Mas qual seria a participação da cidade, das calçadas, dos transportes públicos, das bicicletas compartilhadas na construção de uma cidade mais ativa? A mobilidade urbana pode trazer consigo mais tempo pra família, pro lazer, economia, tranquilidade, mas também pode ser o contrário, mais estresse no trânsito, maior gasto de dinheiro, mais tempo sentado, mas avenidas, mais poluição em todas as suas manifestações inclusive, a sonora. Na verdade vai depender de cada pessoa querer inserir uma cultura ativa em suas vidas e também de reivindicar e fiscalizar políticas públicas de incentivo, ou seja, a cidade pode contribuir para a formação de uma cultura mais dinâmica, com pessoas mais ativas e que consequentemente mais saudáveis, tranquilas, felizes, colaborativas e de bem com a vida. No entanto, não posso reclamar daquilo que não utilizo!

Uma cidade com calçadas convidativas, com flores, largas, iluminadas, bem estruturadas fisicamente, podem ser um convite para trocar o ônibus. Edifícios em que as escadas estejam bem à frente, com corrimões, luzes, limpas, bonitas e com o elevador escondido lá atrás, também podem soar como um convite de trocar o elevador. Ruas arborizadas e pavimentadas, sem buracos, podem ser um convite para trocarmos o carro. Locais de trabalho com vestiários para os funcionários poderiam incentivá-los a virem correndo ou caminhando. Trocar formas de deslocamento que poluem o ar, que gastam mais tempo, ocasionam estresse, que não permitem você apreciar a cidade e conhecer novas pessoas favorecem não só à formação de uma cultura sedentária mas também individualista.

IMG-20170425-WA0042Andar a pé é o modo de transporte mais saudável e sustentável. Mas entendam, não estamos aqui fazendo anti apologia ao carro, mas às formas insustentáveis de uso do carro. Levando em consideração que o deslocamento ativo nos condiciona a inserir outras práticas esportivas e  ajuda a se aventurar em outras formas de movimentar o corpo. Se sentindo empoderado e seguro para se lançar em uma nova experiência. Pensando nisso devemos analisar o nosso dia-a-dia, conhecer os espaços que estão ao nosso entorno, exigir que sejam construídas próximos à nossas casas espaços esportivos e inserir o deslocamento ativo em nossa rotina diária, não deixando a cultura capitalista depositar em nossas mentes que só podemos nos exercitar em academias ou quadras esportivas. Pensando assim, no retorno à minha cidade de Fortaleza percebo o quanto a mesma já melhorou em termo de mobilidade e que preciso ocupar ainda mais essa imensa academia viva.
”Nossa cidade é uma grande academia, precisamos andar na contramão do sedentarismo!”

 

Kelviane Gomes,
bolsista da Corrida Amiga,
Educadora, Profissional de Educação Física
Fortaleza-CE

 

camiga

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